Muito tempo eu me culpei muito por ter dois cursos superiores e uma pós-graduação e estar em casa, dependendo do Ricardo. Sempre reconheci que sou péssima dona de casa, detesto lavar, passar, limpar e programas de culinária. Tenho a Sandra uma vez por semana e estou muito feliz por isso.
O Ricardo não é um marido exigente, não existe cobranças. Ele diz que eu terei que voltar a trabalhar porque não vai me aguentar dentro de casa. Ele tem razão!
Estou feliz de aprender coisas novas, como sou muito ansiosa e não consigo ficar dentro de casa, estou muito ocupada. Faço Oficina de Oração (não posso deixar Deus de lado), hidroginástica, curso de bordado, terapia, pathwork e croché. Aprender é bom demais, estou fazendo três mantas e já fiz um casaquinho de croché pro Ronaldo. A única coisa ruim é que não ganho dinheiro, mas está tudo bem!
Não podemos ter tudo, e eu sei agora que tem tempo para todas as coisas!É muito difícil reconhecer que existe até o tempo de Deus, somos imediatistas e ainda queremos dar satisfação para outras pessoas.
Muita gente fala que tenho que aproveitar agora porque depois não vou ter tempo para nada, que o bebê vai tomar todo meu tempo, quem vai ficar com o bebê para trabalhar, blá, blá, blá.... Mas penso que se não quizer ser perfeita e apenas possível vou superar todas as dificuldades do tempo e da vida! Com a ajuda de Deus !
Este texto da Marta Medeiros, me ajudou muito a repensar minha vida, por isso está registrado aqui:
Marta Medeiros é uma jornalista e escritora brasileira. É colunista do
jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro.
Mulheres
Possíveis
Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível,
me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional e mulher
que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana,vou ao supermercado
algumas vezes por semana, decido o cardápio das refeições, telefono para minha
mãe, para minha sogra, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema,
pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista,
mamografia, faço academia,compro flores para casa, providencio os consertos
domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda
faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e
responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres. Primeiro:
a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por
nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na
sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da
maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você
seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe ,acredite, não tiveram essa
expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as
madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é,
humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se
divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a
agenda lotada, não é ser semprepoliticamente correta, não é topar qualquer
projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão
de ser indispensável. É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer
tudo. Tempo para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de
discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo
para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga
que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho
voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para
conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever
um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para
descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar
de existir. Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto
ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não
contra. A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se
não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está
tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de
si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua
vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa
independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em
casa, espiando a vida pela janela. Desacelerar tem um custo. Talvez seja
preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom
da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo
isso,francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa
de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o
rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva
sobre o que é, afinal, uma vida interessante.