domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tristeza

A tia Regina faleceu, é muito triste por isso não quero nem escrever, apenas coloquei para registrar, dia 25 de fevereiro às 14h30 Deus levou minha cunhada, amiga e irmã. Estou muito triste pois queria que meu filho tivesse a sorte de conhecê-la. Saudades....


Para me entender melhor:

Em nove meses, cria-se uma vida. Nessa atividade ímpar, corpo e mente devem estar em equilíbrio para viver as transformações desse período, às vezes desgastantes, com saúde e tranqüilidade.
Sílvia Lenzi
Não há pessoa alguma, tenha a idade que tiver, que escape do estresse, mas a grávida, em geral, é bem mais suscetível a ele. Motivos não faltam. Além de toda a pressão da vida cotidiana, ela tem de lidar com as preocupações próprias da gravidez, que não são poucas: medo de aborto, de malformação do feto, de estar sozinha na hora H, de não reconhecer os sinais do parto, de morrer.
Como se não bastasse tudo isso, há ainda o fator biológico: já nos primeiros dias de gestação, o organismo feminino aumenta a produção dos hormônios estrógeno e progesterona. Essa alteração hormonal afeta com mais intensidade – principalmente nos três primeiros meses de gravidez – a área do cérebro que comanda as emoções. É por isso que as gestantes ficam mais emotivas, sensíveis, chorosas, irritadas e propensas ao estresse nessa fase.
Nível de reação
Estar submetida a fatores estressores não representa perigo para a grávida. O problema é a reação a eles, e isso varia de mulher para mulher. Há aquelas mais sensíveis, que capitulam rapidamente frente a qualquer pressãozinha, e as mais "duronas", que lidam melhor com as dificuldades.
As gestantes que se relacionam de forma positiva com os fatores de pressão, adaptando-se bem às situações criadas por eles, vivenciam aquilo que os médicos chamam de "estresse bom". Como ele funciona como estímulo e não ameaça ao organismo, não oferece perigo. Já o "estresse ruim" gera desequilíbrio psicológico ou orgânico. Ou ambos. É, na verdade, uma doença que, dependendo de sua intensidade e da resposta individual, pode desencadear uma série de reações que prejudicam a gestante e o bebê.
Instinto selvagem
O estresse, a princípio, não é doença, e sim uma reação natural do organismo a situações de tensão física ou psicológica. É um comportamento ligado às nossas origens primitivas, quando a espécie humana ainda vivia à mercê do ambiente. Apesar de toda a evolução, nosso corpo continua reagindo às ameaças como no tempo das cavernas, ou seja, liberando hormônios (adrenalina e corticóides, por exemplo), para nos dar condições de lutar ou fugir. Esses hormônios favorecem a vasoconstrição, necessária para diminuir a perda de sangue em caso de ferimento; ativam a audição para detectar o "inimigo"; suspendem a digestão, economizando energia para a luta. Atualmente, não solucionamos os problemas fugindo ou usando a força bruta, claro, só que nosso inconsciente ainda detona no organismo todo esse arsenal de defesa.
Sinais de alerta
Os sinais de estresse na gestação não são diferentes dos que afetam qualquer pessoa. Difícil é não confundi-los com as alterações características da gravidez: choro fácil, irritação, sonolência ou insônia, por exemplo. O diagnóstico vai depender da intensidade, duração e combinação dos vários sintomas. Por isso é importantíssimo que a gestante anote e relate tudo o que sente ao obstetra responsável pelo pré-natal para que ele possa chegar a uma conclusão. Ela deve ficar atenta a:
alterações dos hábitos de sono, tanto para mais (extrema sonolência ou necessidade de dormir) quanto para menos (insônia, sono leve ou "picado"). Vale o mesmo para as alterações de apetite: voracidade ou inapetência;
emotividade excessiva mesmo para o padrão de uma grávida, como, por exemplo, choro fácil;
incapacidade de se divertir em situações que antes lhe davam prazer;
dificuldade de executar o trabalho ao qual estava acostumada;
auto-estima em baixa acentuada, caso da gestante que se acha feia, gorda e não leva em conta que as alterações físicas são passageiras;
diminuição significativa da libido, com desinteresse sexual muito distante do padrão normal;
irritação e angústia freqüentes e de forte intensidade;
suor frio nas mãos e nos pés, taquicardia, tontura e mal-estar recorrentes;
cansaço exagerado.
Atenção total
Uma grávida estressada precisa de atenção redobrada, porque esse problema pode levar ao trabalho de parto prematuro, à restrição do crescimento fetal e, se a gestante for hipertensa ou diabética, ao agravamento do quadro clínico dessas doenças.
Os riscos aumentam porque o estresse provoca no organismo da grávida uma verdadeira inundação de hormônios. Seu hipotálamo – a parte do cérebro que, entre outras funções, regula a vida emocional – produz mais CRH. Esse hormônio libera uma substância que estimula a hipófise (glândula cerebral reguladora das glândulas endócrinas como tireóide e supra-renal) a aumentar a produção de ACTH – um hormônio que induz o aumento da produção de outro, a adrenalina, que, em excesso, causa taquicardia, dilatação das pupilas e vasoconstrição. É uma verdadeira reação em cadeia. No caso da gestante, ao diminuir o calibre dos vasos sanguíneos (vasoconstrição), há uma redução também na demanda de oxigênio e nutrientes para o bebê o que, nos casos mais graves, pode resultar em sofrimento fetal e até na morte intra-uterina.
O cortisol é outro hormônio que participa dessa reação e, em excesso, age sobre a placenta, fazendo-a produzir mais hormônio CRH. Como conseqüência, aumenta a produção da prostaglandina – substância que pode desencadear contrações uterinas, às vezes levando ao parto prematuro. É bom lembrar que um bebê prematuro tem mais chance de desenvolver infecções graves e complicações pulmonares. Além do que, a prematuridade é a primeira causa mundial de morte neonatal –- aquela que ocorre até 28 dias após o nascimento.
O estresse materno pode ainda fazer com que a glândula adrenal do feto produza o hormônio DHEA. Ao chegar ao fígado do bebê e à placenta, esse hormônio é transformado em estradiol, que também favorece as contrações uterinas, aumentando o perigo de um parto prematuro.
Uma alimentação saudável e balanceada contribui para aumentar o bem-estar da gestante.
Cuidados essenciais
Portanto, olho vivo no estresse! Mesmo porque, ele não surge do nada: é importante identificar os fatores que o desencadearam, pois não adianta tratar os sintomas se as causas não forem atacadas.
Se o motivo do estresse for o excesso de trabalho, vale tentar uma conversa com o chefe. Explique a situação e veja se consegue a cooperação dele para encontrar uma solução. Se der, diminua o ritmo. Caso o fator estressor se encontre no relacionamento com o parceiro, chame-o também para uma conversa amigável e peça sua colaboração. Tente envolvê-lo na gravidez, pedindo que a acompanhe a algumas consultas do pré-natal e aos exames mais importantes.
Fazer um bom pré-natal, aliás, é muito importante para evitar que o estresse torne-se uma doença. Em primeiro lugar, porque aqueles temores relacionados com a gravidez –- como medo de aborto, de malformação do feto, de não reconhecer os sinais do parto - podem ser solucionados com uma boa conversa com o obstetra. A gestante não deve ter receio ou vergonha de perguntar até as coisas que podem parecer mais bobas, porque só o médico tem as respostas certas para as suas dúvidas. Estar esclarecida sobre a gravidez e o parto é um bom antídoto contra o estresse. Por isso, é essencial que a gestante confie no obstetra que escolheu. Além disso, ao seguir rigorosamente o programa de acompanhamento pré-natal, ela dará ao médico condições de diagnosticar e tratar o estresse antes de ele causar algum estrago.
Praticar algum tipo de exercício físico específico para gestantes – caminhadas, hidroginástica, ioga –-, com consentimento e orientação médicos, é uma boa maneira de driblar o estresse. Alimentação correta também ajuda.
Os casos mais graves de estresse – principalmente aqueles aliados a outras doenças como hipertensão, por exemplo –- necessitam de tratamento com medicamentos calmantes e ajuda de um psicoterapeuta.
Entrevistados: Ângela Martinez da Silva Haddad, psicóloga do curso de preparação para o parto do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo; Luiz Roberto Zitron, ginecologista e obstetra do Centro Médico Israelita Abrão Garfinkel, SP; Roberto Edua rdo Bittar, obstetra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Estresse x Depressão
Só um médico conseguirá dizer, com precisão, se a grávida está com estresse ou depressão e isso depende do exame clínico e da avaliação que ele fizer a respeito da intensidade e gravidade dos sintomas relatados por ela.
O estresse está longe de ser uma depressão, mas se o diagnóstico for esse, a grávida tem mais chances de sofrer da depressão pós-parto, a DPP. De modo geral, o estresse está mais ligado à ansiedade, e a depressão, à tristeza. Quando a grávida se queixa de cansaço, falta de concentração, dificuldade para dormir, é bem provável que tenha apenas um estresse. Mas se esses sintomas estiverem associados a outros, como perda de apetite, diminuição da libido, tristeza persistente, pessimismo, uma sensação de falta de perspectiva para o futuro, pode ser depressão. E aí, precisa ser cuidada para evitar a outra – a DPP –, que costuma atingir, em maior ou menor grau, 13% das mulheres que dão à luz. Os sintomas aparecem até 40 dias depois do parto, mas desaparecem em 4 a 6 semanas após o início do tratamento, com medicação antidepressiva e orientação psiquiátrica. O não tratamento, por sua vez, pode fazer a DPP perdurar por até um ano.
É importante salientar que 50% das mulheres apresentam o chamado "Blues" –- um problema muitas vezes confundido com depressão pós-parto. O "Blues" também se manifesta logo depois do nascimento do bebê, deixando a mulher triste, chorosa, quieta e reflexiva, mas é sentimento normal que dura somente de 4 a 5 dias e não necessita de intervenção médica.
Entrevistada: Sara Mota Borges Bottino, psiquiatra, médica-assistente do Centro de Referência da Saúde da Mulher - Hospital Pérola Byington, SP, e professora de Psicologia Médica do curso de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

Fonte:http://crescer.globo.com/edic/ed80/rep_gravidez.htm

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