A tia Regina faleceu, é muito triste por isso não quero nem escrever, apenas coloquei para registrar, dia 25 de fevereiro às 14h30 Deus levou minha cunhada, amiga e irmã. Estou muito triste pois queria que meu filho tivesse a sorte de conhecê-la. Saudades....
Para me entender melhor:
Em
nove meses, cria-se uma vida. Nessa atividade ímpar, corpo e mente
devem estar em equilíbrio para viver as transformações desse período,
às vezes desgastantes, com saúde e tranqüilidade.
Sílvia Lenzi
Não há pessoa
alguma, tenha a idade que tiver, que escape do estresse, mas a grávida,
em geral, é bem mais suscetível a ele. Motivos não faltam. Além
de toda a pressão da vida cotidiana, ela tem de lidar com as preocupações
próprias da gravidez, que não são poucas: medo de aborto, de malformação
do feto, de estar sozinha na hora H, de não reconhecer os sinais
do parto, de morrer.
Como se não
bastasse tudo isso, há ainda o fator biológico: já nos primeiros
dias de gestação, o organismo feminino aumenta a produção dos hormônios
estrógeno e progesterona. Essa alteração hormonal afeta com mais
intensidade – principalmente nos três primeiros meses de gravidez
– a área do cérebro que comanda as emoções. É por isso que
as gestantes ficam mais emotivas, sensíveis, chorosas, irritadas
e propensas ao estresse nessa fase.
Nível de
reação
Estar submetida a fatores estressores não representa perigo para a grávida. O problema é a reação a eles, e isso varia de mulher para mulher. Há aquelas mais sensíveis, que capitulam rapidamente frente a qualquer pressãozinha, e as mais "duronas", que lidam melhor com as dificuldades.
Estar submetida a fatores estressores não representa perigo para a grávida. O problema é a reação a eles, e isso varia de mulher para mulher. Há aquelas mais sensíveis, que capitulam rapidamente frente a qualquer pressãozinha, e as mais "duronas", que lidam melhor com as dificuldades.
As gestantes
que se relacionam de forma positiva com os fatores de pressão, adaptando-se
bem às situações criadas por eles, vivenciam aquilo que os médicos
chamam de "estresse bom". Como ele funciona como estímulo e não
ameaça ao organismo, não oferece perigo. Já o "estresse ruim" gera
desequilíbrio psicológico ou orgânico. Ou ambos. É, na verdade,
uma doença que, dependendo de sua intensidade e da resposta individual,
pode desencadear uma série de reações que prejudicam a gestante
e o bebê.
| Instinto
selvagem
O estresse,
a princípio, não é doença, e sim uma reação natural do organismo
a situações de tensão física ou psicológica. É um comportamento
ligado às nossas origens primitivas, quando a espécie humana
ainda vivia à mercê do ambiente. Apesar de toda a evolução,
nosso corpo continua reagindo às ameaças como no tempo das
cavernas, ou seja, liberando hormônios (adrenalina e corticóides,
por exemplo), para nos dar condições de lutar ou fugir. Esses
hormônios favorecem a vasoconstrição, necessária para diminuir
a perda de sangue em caso de ferimento; ativam a audição para
detectar o "inimigo"; suspendem a digestão, economizando energia
para a luta. Atualmente, não solucionamos os problemas fugindo
ou usando a força bruta, claro, só que nosso inconsciente
ainda detona no organismo todo esse arsenal de defesa.
|
Sinais de
alerta
Os sinais de estresse na gestação não são diferentes dos que afetam qualquer pessoa. Difícil é não confundi-los com as alterações características da gravidez: choro fácil, irritação, sonolência ou insônia, por exemplo. O diagnóstico vai depender da intensidade, duração e combinação dos vários sintomas. Por isso é importantíssimo que a gestante anote e relate tudo o que sente ao obstetra responsável pelo pré-natal para que ele possa chegar a uma conclusão. Ela deve ficar atenta a:
alterações
dos hábitos de sono, tanto para mais (extrema sonolência ou necessidade
de dormir) quanto para menos (insônia, sono leve ou "picado"). Vale
o mesmo para as alterações de apetite: voracidade ou inapetência;
emotividade excessiva mesmo para o padrão de uma grávida, como,
por exemplo, choro fácil;
incapacidade de se divertir em situações que antes lhe davam prazer;
dificuldade
de executar o trabalho ao qual estava acostumada;
auto-estima
em baixa acentuada, caso da gestante que se acha feia, gorda e não
leva em conta que as alterações físicas são passageiras;
diminuição
significativa da libido, com desinteresse sexual muito distante
do padrão normal;
irritação
e angústia freqüentes e de forte intensidade;
suor frio nas mãos e nos pés, taquicardia, tontura e mal-estar recorrentes;
cansaço
exagerado.
Os sinais de estresse na gestação não são diferentes dos que afetam qualquer pessoa. Difícil é não confundi-los com as alterações características da gravidez: choro fácil, irritação, sonolência ou insônia, por exemplo. O diagnóstico vai depender da intensidade, duração e combinação dos vários sintomas. Por isso é importantíssimo que a gestante anote e relate tudo o que sente ao obstetra responsável pelo pré-natal para que ele possa chegar a uma conclusão. Ela deve ficar atenta a:
Atenção total
Uma grávida estressada precisa de atenção redobrada, porque esse problema pode levar ao trabalho de parto prematuro, à restrição do crescimento fetal e, se a gestante for hipertensa ou diabética, ao agravamento do quadro clínico dessas doenças.
Uma grávida estressada precisa de atenção redobrada, porque esse problema pode levar ao trabalho de parto prematuro, à restrição do crescimento fetal e, se a gestante for hipertensa ou diabética, ao agravamento do quadro clínico dessas doenças.
Os riscos aumentam
porque o estresse provoca no organismo da grávida uma verdadeira
inundação de hormônios. Seu hipotálamo – a parte do cérebro
que, entre outras funções, regula a vida emocional – produz
mais CRH. Esse hormônio libera uma substância que estimula a hipófise
(glândula cerebral reguladora das glândulas endócrinas como tireóide
e supra-renal) a aumentar a produção de ACTH – um hormônio
que induz o aumento da produção de outro, a adrenalina, que, em
excesso, causa taquicardia, dilatação das pupilas e vasoconstrição.
É uma verdadeira reação em cadeia. No caso da gestante, ao diminuir
o calibre dos vasos sanguíneos (vasoconstrição), há uma redução
também na demanda de oxigênio e nutrientes para o bebê o que, nos
casos mais graves, pode resultar em sofrimento fetal e até na morte
intra-uterina.
O cortisol é
outro hormônio que participa dessa reação e, em excesso, age sobre
a placenta, fazendo-a produzir mais hormônio CRH. Como conseqüência,
aumenta a produção da prostaglandina – substância que pode
desencadear contrações uterinas, às vezes levando ao parto prematuro.
É bom lembrar que um bebê prematuro tem mais chance de desenvolver
infecções graves e complicações pulmonares. Além do que, a prematuridade
é a primeira causa mundial de morte neonatal –- aquela que
ocorre até 28 dias após o nascimento.
O estresse materno
pode ainda fazer com que a glândula adrenal do feto produza o hormônio
DHEA. Ao chegar ao fígado do bebê e à placenta, esse hormônio é
transformado em estradiol, que também favorece as contrações uterinas,
aumentando o perigo de um parto prematuro.
| Uma alimentação saudável e balanceada contribui para aumentar o bem-estar da gestante. |
Cuidados
essenciais
Portanto, olho vivo no estresse! Mesmo porque, ele não surge do nada: é importante identificar os fatores que o desencadearam, pois não adianta tratar os sintomas se as causas não forem atacadas.
Portanto, olho vivo no estresse! Mesmo porque, ele não surge do nada: é importante identificar os fatores que o desencadearam, pois não adianta tratar os sintomas se as causas não forem atacadas.
Se o motivo
do estresse for o excesso de trabalho, vale tentar uma conversa
com o chefe. Explique a situação e veja se consegue a cooperação
dele para encontrar uma solução. Se der, diminua o ritmo. Caso o
fator estressor se encontre no relacionamento com o parceiro, chame-o
também para uma conversa amigável e peça sua colaboração. Tente
envolvê-lo na gravidez, pedindo que a acompanhe a algumas consultas
do pré-natal e aos exames mais importantes.
Fazer um bom
pré-natal, aliás, é muito importante para evitar que o estresse
torne-se uma doença. Em primeiro lugar, porque aqueles temores relacionados
com a gravidez –- como medo de aborto, de malformação do feto,
de não reconhecer os sinais do parto - podem ser solucionados com
uma boa conversa com o obstetra. A gestante não deve ter receio
ou vergonha de perguntar até as coisas que podem parecer mais bobas,
porque só o médico tem as respostas certas para as suas dúvidas.
Estar esclarecida sobre a gravidez e o parto é um bom antídoto contra
o estresse. Por isso, é essencial que a gestante confie no obstetra
que escolheu. Além disso, ao seguir rigorosamente o programa de
acompanhamento pré-natal, ela dará ao médico condições de diagnosticar
e tratar o estresse antes de ele causar algum estrago.
Praticar algum
tipo de exercício físico específico para gestantes – caminhadas,
hidroginástica, ioga –-, com consentimento e orientação médicos,
é uma boa maneira de driblar o estresse. Alimentação correta também
ajuda.
Os casos mais
graves de estresse – principalmente aqueles aliados a outras
doenças como hipertensão, por exemplo –- necessitam de tratamento
com medicamentos calmantes e ajuda de um psicoterapeuta.
Entrevistados:
Ângela Martinez da Silva Haddad, psicóloga do curso de preparação
para o parto do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo;
Luiz Roberto Zitron, ginecologista e obstetra do Centro Médico Israelita
Abrão Garfinkel, SP; Roberto Edua rdo Bittar, obstetra e professor
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Estresse
x Depressão
Só um
médico conseguirá dizer, com precisão, se a grávida está com
estresse ou depressão e isso depende do exame clínico e da
avaliação que ele fizer a respeito da intensidade e gravidade
dos sintomas relatados por ela.
O estresse
está longe de ser uma depressão, mas se o diagnóstico for
esse, a grávida tem mais chances de sofrer da depressão pós-parto,
a DPP. De modo geral, o estresse está mais ligado à ansiedade,
e a depressão, à tristeza. Quando a grávida se queixa de cansaço,
falta de concentração, dificuldade para dormir, é bem provável
que tenha apenas um estresse. Mas se esses sintomas estiverem
associados a outros, como perda de apetite, diminuição da
libido, tristeza persistente, pessimismo, uma sensação de
falta de perspectiva para o futuro, pode ser depressão. E
aí, precisa ser cuidada para evitar a outra – a DPP –,
que costuma atingir, em maior ou menor grau, 13% das mulheres
que dão à luz. Os sintomas aparecem até 40 dias depois do
parto, mas desaparecem em 4 a 6 semanas após o início do tratamento,
com medicação antidepressiva e orientação psiquiátrica. O
não tratamento, por sua vez, pode fazer a DPP perdurar por
até um ano.
É importante
salientar que 50% das mulheres apresentam o chamado "Blues"
–- um problema muitas vezes confundido com depressão
pós-parto. O "Blues" também se manifesta logo depois do nascimento
do bebê, deixando a mulher triste, chorosa, quieta e reflexiva,
mas é sentimento normal que dura somente de 4 a 5 dias e não
necessita de intervenção médica.
Entrevistada:
Sara Mota Borges Bottino, psiquiatra, médica-assistente do
Centro de Referência da Saúde da Mulher - Hospital Pérola
Byington, SP, e professora de Psicologia Médica do curso de
Medicina da Universidade Federal de São Paulo.
Fonte:http://crescer.globo.com/edic/ed80/rep_gravidez.htm
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